quarta-feira, 14 de abril de 2010

NA HORA DO RUSH

Por TADEU ROCHA



Amarelo!
Vermelho!
Pés firmes no freio
Buzinas! Gritos!
O toca fita cospe som pelas janelas
Braços estendidos
E o moleque sem graça:
- Moço! Limpo o pára-brisa?

Verde!
Ronco de motores
Canos de escape liberam fumaça
Luzes! Muitas luzes.
O capitalismo sorri a gás néon

Descortinada noite da cidade
Bolsas! Meretrizes! Esquina! Bordéis!
O rio Capibaribe corre podre sob nós
- Corre. Definha. Despede-se...

Cheira-colas
Divididos em três expedientes
Primeiro – tempo de atormentarem senhoras,
Segundo – hora de colar malandragem,
Terceiro – às vezes comida podre nos Coelhos

No ônibus alguém toca pandeiro
Por migalhas
Lá longe Artur alegra ouvidos
Com seu piano
No centro de convenções.

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