quinta-feira, 29 de abril de 2010

PALAVRAS EM FORMA DE REDEMOINHO

De Octavio Paz,
Traduzido por Anderson Braga Horta


Abro a janela
que dá

pra nenhuma parte
A janela

que se abre para dentro
O vento

levanta
instantâneas levíssimas

torres de poeira giratória
São

mais altas que esta casa
Cabem

nesta folha
Caem e se levantam

Antes que digam
algo

ao dobrar a folha
se dispersam

Torvelinhos de ecos
aspirados inspirados

por seu próprio girar
Agora

abrem-se noutro espaço
Dizem

não o que dizemos
outra coisa sempre outra

a mesma coisa sempre
Palavras do poema

não as dizemos nunca
O poema nos diz

Nenhum comentário:

Postar um comentário