segunda-feira, 31 de maio de 2010

ÁPORO

De Carlos Drummond de Andrade


Um inseto cava

cava sem alarme

perfurando a terra

sem achar escape.

Que fazer, exausto,

em país bloqueado,

enlace de noite

raiz e minério?

Eis que o labirinto

(oh razão, mistério)

presto se desata:

em verde, sozinha,

antieuclidiana,

uma orquídea forma-se.

Nenhum comentário:

Postar um comentário