quarta-feira, 12 de maio de 2010

SEM SAL

Por TADEU ROCHA


A lágrima
Que ela derramou
Não me comoveu
Foi uma lágrima doce
Uma lágrima de cera
Choro de primeiro de abril

Pranto sem alma
Nu de sentimento
Indigno de ter existido
Lágrima indigna de ter saído.

Um rosto sem expressão
Teria sido um soco
A me doer menos
Que uma lágrima sem sal

Toda falsa lágrima
Deveria ser ácida
O bastante
Para deformar o rosto
De quem chora sem estar chorando.

Pranto sem alma
Despido de sentimento
Indigno de ter existido
Lágrima indigna de ter nascido.

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