sábado, 31 de julho de 2010






Quando ela encontrou o mar, ria como uma criança.
O mar que ria, ria pra ela!
Mistérios do mar, mistérios de mulher, tesouros sem mapas....
Tantos sonhos a explorar....
E eu apenas buscando a luz dos seus olhos para não naufragar....


Tadeu Rocha

sexta-feira, 30 de julho de 2010





Uma garça branca
Repousa no galho de uma árvore
O rio transparece translúcido
Refletindo o céu
Pensamentos e eras voam
Na correnteza do vento
Sonhos da sua bem-aventurança
Retratos de si mesmo...

Carlos Maia
18/02/09




Olhando da janela que tantas vezes
me trouxe o infinito nas asas de um pássaro.
E é dessas cinzas,
de tudo de ruim de tudo de bom
do esterco da lama da flor do voo impensável,
do instante inatingível,
da busca da busca que me queima e me consome.
No meio de tantos antagonismos
eu procuro me encontrar.

Carlos Maia
19/04/99

PARABÉNS AO GRANDE POETA CARLOS MAIA




Quando um poeta faz aniversário, deve ganhar os parabéns não somente por mais um ano de vida, mas por compartilhar com o mundo a sua arte. Parabéns grande poeta!!!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

VIOLAÇÕES




Violaram nossa liberdade
Invadiram nossos pátios
Picharam nossas casas
Profanaram nosso sagrado
E escarraram nossos ideais

Apedrejaram nossa fantasia
Sufocaram nossa vontade
Queimaram nossas bandeiras
Apagaram nossas pegadas
E nos confundiram com falsos sinais

Liberdade violada
Fantasia apedrejada
Bandeiras em cinza
Violentaram nossas vidas.

Tadeu Rocha

sexta-feira, 23 de julho de 2010

LINHAS




As linhas das minhas mãos
Nunca me disseram nada
Talvez por nada terem a dizer.

A linha que segurava quando menino
Na outra ponta segurava um pássaro
Linha partida
Tornou o brinquedo mais pássaro ainda
Ave solta no azul
Liberdade querida.

Com a linha da vida
Faz bem tecer um pouco de fantasia
Como da linha do horizonte
São tecidas as manhãs
Tomar a linha do equador
E laçar nossos sonhos
Sem nunca esquecer do amor.

Tadeu Rocha

quinta-feira, 22 de julho de 2010

GRITO





Quando você partiu
Meu grito de angústia
Calou o mar
E o apito dos navios
Que saudavam o caís.

Enveredou pela madrugada
Varando as casas
Afastando o sono
Despertando a raiva

O samba perdeu
A voz na avenida
Quando meu grito
Abafou a bateria
E a lua assustada
Deu lugar ao sol.

Tadeu Rocha

terça-feira, 20 de julho de 2010




Poeta, poeta, onde estão indo
dar os teus caminhos?
Onde deixastes o prumo, a régua, o passo?
Poeta, poeta, que ânsia de vida é essa?
Que poço insondável é esse que consome
o teu coração?
Risca uma nova porta, traça uma nova estrada,
Soergue o prumo das entranhas da terra,
Retoma a tua vida!
Enfrenta o minotauro
nos labirintos
do teu coração!

Carlos Maia
30/07/04



Sozinho,
Tateando na noite escura,
Buscando um sentido
Que faça preencher
O deserto de afetos.
A esperança
Já toda rota
Teima em sobreviver.
Após tantas quedas,
Tentar novamente
Acreditar em si mesmo,
Soerguer âncoras e remos
No oceano
Da noite infindável,
Enfrentar o medo antigo
E fundo;
Pois ainda acena
No distante cais,
Um colo,
Um colo...

Carlos Maia
03/02/10


Havia noites em que
A porta ficava aberta,
E podíamos vislumbrar
Na penumbra
A cidade mergulhada na neblina.
Havia noites em que
A porta aberta
Saíamos na chuva
Pelas ladeiras de Olinda.
Havia noites
Em que a tristeza
Era uma mera
Lembrança,
Perdida
Nos confins da infância,
Entre mangueiras
E atiradeiras.
Havia noites
Em que pairava
Como uma gaivota,
A eternidade do momento.

Carlos Maia
Maio/84

domingo, 18 de julho de 2010

ALMA LIVRE

Desconheço a autoria, mas admiro este poema:


Nas ardentes solidões longíquoas
Que nenhum olhar humano jamais pôde descobrir
A luz, como se fosse uma noiva
Desce para as enormes núpcias com o mar

Contemplando-te, alma livre,
Penso que foi daquele divino consórcio que nasceste
Por isso trouxeste, em tua substância,
O impeto da revolta, a profundeza, a maravilhosa riqueza do mar
E a bravia, a pura, a imaculada unidade da luz.

PS: se alguém descobrir quem é o autor, gentileza informar para que eu coloque o nome. Acho que pertence a Gustave Kahn ou Julie Laforgue, mas não consegui confirmar.

MAU DESPERTAR

De Ferreira Gullar


Saio do sono como
de uma batalha
travada em
lugar algum

Não sei na madrugada
se estou ferido
se o corpo
tenho
riscado
de hematomas

Zonzo lavo
na pia
os olhos donde
ainda escorre
uns restos de treva.

POEMA

De Ferreira Gullar,


Se morro
universo se apaga como se apagam
as coisas deste quarto
se apago a lâmpada:
os sapatos - da - ásia, as camisas
e guerras na cadeira, o paletó -
dos - andes,
bilhões de quatrilhões de seres
e de sóis
morrem comigo.

Ou não:
o sol voltará a marcar
este mesmo ponto do assoalho
onde esteve meu pé;
deste quarto
ouvirás o barulho dos ônibus na rua;
uma nova cidade
surgirá de dentro desta
como a árvore da árvore.

Só que ninguém poderá ler no esgarçar destas nuvens
a mesma história que eu leio, comovido

segunda-feira, 12 de julho de 2010

ETERNOS CORTEZES





Diante da gravura
De um galeão espanhol
Encontrei-me no passado
E contemplei Cortez
À frente de caravelas espanholas
Desembarcando na América
E fazendo escorrer o sangue
De guerreiros astecas valentes.

Retornei ao presente
E vi outros tantos cortezes
Formando bandos
Apossando-se em vez de ouro
Da força de trabalho
Dos novos ingênuos guerreiros
Que silenciando seus tambores de guerra
E retendo na garganta o grito
Tornaram-se insensíveis ao punhal que rasga
- Movido pela mesma ambição –
Suas vidas.

E corri para o futuro
- Com os pés presos no presente,
Que é o meu chão –
E lá quase fiquei surdo
Com o barulho dos tambores
E com o gemido de outros cortezes
Espalhados em um solo vermelho

O guerreiro oprimido despertou
Porém tornou-se opressor.

Escalei estruturas desconhecidas
E colocando-me o mais alto que pude
Clamei com grande voz:
- Que não haja oprimidos, nem opressores,
Tão somente irmãos.

E perguntaram-me quem eu era e de onde surgi
Minhas respostas foram seguidas de risos
Até os derrotados trocaram seus lamentos
Por gargalhadas fortes
De repente o silêncio
E nos olhos de todos vi indignação
Compreendi meu erro:
- Quem era eu para repreendê-los
Se do meu comodismo eles eram filhos?


TADEU ROCHA

MADRUGADA DE UM POETA





Meu poeta! Você hoje está demais!
Conquistou a madrugada
Com a liberdade do teu verso
A última estrela do infinito
Encontrou-se neste céu
Ouvindo tua poesia.

Meu poeta!
Você hoje está demais!
Fez amor com a madrugada
Enquanto as estrelas cantavam
Com a lua cheia de graça
Os teus versos de amor.

Hoje o sol vai tardar
Porque a madrugada
Encontrou-se em teus braços
E não quer mais partir.

Todo mundo acordou
Nessa mesma madrugada
Ao som das serenatas
Que seus versos inspiravam
E as moças abriram as janelas
Para ouvir o teu declamar
E o povo invadiu as ruas
Cantarolando o amor.

Hoje o sol vai tardar
Pois a madrugada
Fez-se eterna em teus braços
E não quer mais partir


TADEU ROCHA

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O RIO (Fragmento)

De Octavio Paz


A metade do poema sobressalta-me sempre um grande desamparo, tudo me abandona,
não há nada a meu lado, nem sequer esses olhos que por detrás
contemplam o que escrevo,
não há atrás nem adiante, a pena se rebela, não há começo nem
fim, tampouco muro que saltar,
é uma esplanada deserta o poema, o dito não está dito, o não dito
é indizível,
torres, terraços devastados, babilônias, um mar de sal negro, um
reino cego,
Não,
deter-me, calar, fechar os olhos até que brote de minhas pálpebras
uma espiga, um repuxo de sóis,
e o alfabeto ondule longamente sob o vento do sonho e a maré suba
em onda e a onda rompa o dique,
esperar até que o papel se cubra de astros e seja o poema um
bosque de palavras enlaçadas,
Não, não tenho nada a dizer; ninguém tem nada a dizer, nada nem
ninguém exceto o sangue,
nada senão este ir e vir do sangue, este escrever sobre o já escrito
e repetir a mesma palavra na metade do poema,
sílabas de tempo, letras rotas, gotas de tinta, sangue que vai e vem
e não diz nada e me leva consigo.

(Trad. Haroldo de Campos)