segunda-feira, 12 de julho de 2010

ETERNOS CORTEZES





Diante da gravura
De um galeão espanhol
Encontrei-me no passado
E contemplei Cortez
À frente de caravelas espanholas
Desembarcando na América
E fazendo escorrer o sangue
De guerreiros astecas valentes.

Retornei ao presente
E vi outros tantos cortezes
Formando bandos
Apossando-se em vez de ouro
Da força de trabalho
Dos novos ingênuos guerreiros
Que silenciando seus tambores de guerra
E retendo na garganta o grito
Tornaram-se insensíveis ao punhal que rasga
- Movido pela mesma ambição –
Suas vidas.

E corri para o futuro
- Com os pés presos no presente,
Que é o meu chão –
E lá quase fiquei surdo
Com o barulho dos tambores
E com o gemido de outros cortezes
Espalhados em um solo vermelho

O guerreiro oprimido despertou
Porém tornou-se opressor.

Escalei estruturas desconhecidas
E colocando-me o mais alto que pude
Clamei com grande voz:
- Que não haja oprimidos, nem opressores,
Tão somente irmãos.

E perguntaram-me quem eu era e de onde surgi
Minhas respostas foram seguidas de risos
Até os derrotados trocaram seus lamentos
Por gargalhadas fortes
De repente o silêncio
E nos olhos de todos vi indignação
Compreendi meu erro:
- Quem era eu para repreendê-los
Se do meu comodismo eles eram filhos?


TADEU ROCHA

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