quarta-feira, 4 de agosto de 2010

NA PRAIA


De FABIO MORABITO
Tradução de Antonio Miranda


O vento, mais
que eu,
fuma este cigarro
entre meus dedos,
deixando-me o prazer
de apenas três ou quatro baforadas,
e o mar desapropria as palavras
que te digo,
porque, deitada, não me ouves.
O sol, o vento e a maré
te ensurdecem
e quando me levanto
para dar dois passos,
vendo meus vestígios que se imprimem
na areia,
penso que minha pegadas mentem,
que já não piso assim desde não sei quando;
sem vestígios de outro
que sobrevive em minhas pegadas, pois as minhas
são bem menos eloqüentes.
Tu, ao contrário, que me vês
Inteiro e indivisível,
sabes melhor que ninguém como sou mortal,
como meus vestígios na areia me descrevem
e como plasma neles o que sou,
Sabes melhor que ninguém como não ouvir-me.

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