terça-feira, 3 de agosto de 2010

Orelhas


De FABIO MORABITO
Tradução de Antonio Miranda


duas orelhas: uma para ouvir os vivos
outra para ouvir os mortos

as duas abertas dia e noite

as duas fechadas para nossos sonhos



para ouvir o silêncio não tapes as orelhas
ouvirás o sangue que corre por tuas veias



para ouvir o silêncio aguça os ouvidos
escuta-o uma vez não voltes a ouvi-lo



se tapas a orelha esquerda ouvirás o inferno

se tapas a da direita ouvirás... não te digo

havia uma terceira orelha mas não cabia na cara

a ocultamos no peito e começou a latejar



está cercada pela escuridão

é a única orelha que o ar não engana

é a orelha que nos salva de sermos surdos
quando lá encima nos falham as orelhas.

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