terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os cães ladram à distância.


De FABIO MORABITO
Tradução de Antonio Miranda


Junto deles sou
o único sem sonho no planeta.
Ladram para mim,
despertos por minha culpa.

Meu estar desperto os encoleriza
e sua cólera me espanta.
Somos os únicos
que não duvidam
da redondez da terra.
Os demais, os dormidos,
renegaram Copérnico,
por esta única vez
reclinaram-se sobre um mundo plano.
Por esta única vez, todas as noites.
e assim amanhecem,
acreditando que a terra não gira
e eles dormiram em seus lauréis.

Não conseguem conciliar o sonho
sobre uma superfície triste,
sobre um planeta X.
Melhor ouvir ladrar os cães
que amanhecer neolíticos.
Mais vale não fechar o olho
que claudicar pelo mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário