sexta-feira, 6 de agosto de 2010

POEMA IMPACIENTE



De EMILIO BALLAGAS
Tradução de
Alai Garcia Diniz e Luizete Guimarães Barros


E se você chegar tarde,

quando minha boca tiver

sabor seco de cinzas,

e de terras amargas?



E se chegar quando

a terra removida e escura (cega, morta)

chova sobre meus olhos,

e desterrado da luz do mundo

te busque em minha luz,

na luz interior que eu achava

que vinha fluindo em mim?

(Quando talvez descubra

que nunca tive luz

e ande tateando dentro de mim mesmo,

como um cego que tropeça a cada passo

com lembranças que ferem como cardos.)



E se chegar quando já o tédio

ate e tape as mãos; .

quando não possa abrir os braços

e fechá-los depois como as valvas

de uma concha amorosa que defende

seu mistério, sua carne, seu segredo;

quando não possa ouvir abrir

a rosa de seu beijo nem tocar

(meu tato murcho entre a erva hirta)

nem sentir que nasce em mim outro perfume

que lhe responda ao seu,

nem mostrar a suas rosas

a cor das minhas?



E se você chegasse tarde e encontrasse (apenas)

as cinzas gélidas da espera?

Nenhum comentário:

Postar um comentário