segunda-feira, 30 de agosto de 2010

TRÂNSITO



De GERARDO LEWIN
Tradução de Roxana Lewin


Lento

Avança o trânsito.

Pétreos estamos

entre ruas e ruas.



Em vão foram mil cartas enviadas

desde um extremo ao outro da minha vida.

Não sei já como lê-las

Nem o que hei de responder.

Aqui estão, como rescaldos frios

de passadas fogueiras.



Tarde passei pelo lugar

onde o poema esteve.

Não ultrapassei o umbral

de onde as palavras se suicidam

pulando, como pó espalhado

de paixões perdidas,

a esse abismo acaçapado.



Lento o trânsito.



Enquanto isso

vou abrindo as cartas uma por uma

com fatigada ira, violento e triste,

assassinando de punhaladas uma lembrança:

tinta diluída pelos anos,

ilusões que esqueceram morrer.

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