segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ABRE TODAS AS PORTAS



De LUIS ALBERTO DE CUENCA
Tradução de Antonio Miranda


Abre todas as portas: a que conduz ao ouro,

a que leva ao poder, a que esconde o mistério

do amor; a que oculta o segredo insondável

da felicidade, a que te dá a vida

para sempre no gozo de uma visão sublime.

Abre todas as portas sem que pareças curioso

nem dar importância às manchas de sangue

que salpicam os muros das habitações

proibidas, nem às jóias que revestem os tetos,

nem aos lábios que buscam os teus na sombra,

nem a palavra santa que espreita nos umbrais.

Desesperadamente, civilizadamente,

contendo o riso, secando tuas lágrimas,

no limiar do mundo, no fim do caminho,

ouvindo como cantam os rouxinóis,

não duvides, irmão: abre todas as portas.

Mesmo que nada exista dentro.

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