domingo, 26 de setembro de 2010

OS TRÊS VENENOS



De CARLOS LÓPEZ DE GREGORI
Tradução de Antonio Miranda



És três, Fulgor,

nesta noite

de espelhos.



Três venenos

ou três flores

com as bocas acesas

ou três afiados corações

trazidos pelo vento,

pelo sonho,

pelo mar.



És três portas abertas

à sombra de uma alcova

que me aguarda desde sempre.

Nela existem degraus

que ninguém sabe se descem ou sobem,

tem três camas, três lençóis volantes

três velas,

três bosques de carne ou de cristal

e três pulsos

e três tormentas

e três ecos

e três mortes.



És três feras de lume.



Três fios que para ver-te não ver-te

costuraram

e descosturaram

minhas pestanas.



Três línguas

abrasadas em minha língua

balbuceando em um idioma impossível

minhas histórias e segredos:

esses que cobram vida

e são amores tristes

que caminham

pelos parques vazios

buscando uma única árvore entre todas as árvores,

porque ali gravarão na sua casca viva

três vezes

mesmo que doa

e doa

e doa



teu nome definitivo.

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