terça-feira, 26 de outubro de 2010

SOBERBA



De LIENTUR ESCOBAR PEÑA
Tradução de Antonio Miranda



Eu perdôo o pão que me negavas

mas cravo o martelo

o amor

que me escapa.



Não quero batalhas

de sangue

nem castelo de naipes.



Apenas busco

o veleiro onde o ar

é ar

e a onda

abano de sal

para espantar

minha calma figurada.





Não pude separar o sino de tua casa

do saguão sulino

de minha terra

então; ou tu vens

ou vais,

deixa-me

teu nome já me basta.



O telefone não responde

mas tua voz não reclama

—Amar assim é de néscios—

e não perdôo

as mentiras

que a covarde

dou migalhas.



Deus já sabe

quem engana.

Vales quanto vales

Honra sem Espada.

sábado, 23 de outubro de 2010

AUSÊNCIAS





Contemplei a noite
Invadida pelos astros
E desejei o teu brilho

Contemplei o sol
Copulando a terra
E desejei o teu calor

Contemplei o vestido
Despido do teu corpo
E lamentei tua ausência

Contemplei os cômodos
Repletos de saudade
E lamentei minha presença.


Tadeu Rocha

PRESENÇA





Ainda que todas as orquestras
Se unam em um grande concerto
E todas as vozes em um único coro
Não haverá música
Se ao meu lado não houver você.

Pode um silêncio tirano
Banir de todo instrumento o som
E calar toda voz
Que haverá uma canção de amor
Uma música contagiante
A bailar nossos corações
Tão somente
Se ao meu lado houver você.


Tadeu Rocha

CONTRASTE (Poema Inverbal)





Granadas e Flores
Bazuca Tulipa
Balas Orquídeas
Scud e Rosas

Bombas Atômicas e Pétalas
Radares e Girassóis
E grito!
E lágrima!
E morte!
E nada!

O Soldado Fantoche
E o nobre Beija-Flor
Antíteses de um mesmo cenário

A terra e o homem infértil
Juntamente com o fim
Sinônimos ou filhos gêmeos
No ventre da mãe gentil


Tadeu Rocha

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

AZUL E TINTO





Guarda contigo
Meu verso nu e tinto
Que eu levo comigo
O grito do que sinto.

Cristais da calma
Projetados ao chão
Fúria das águas
Lágrimas de vulcão.

Guarda contigo
Cais e caos dos meus abismos
Que eu levo comigo
Teu sorriso
Cálice de absinto.

Sonho perdido!
Um sol de Dante
Sabota meu passeio de Ícaro
Deixo contigo as asas
E levo comigo o azul diluído


Tadeu Rocha

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poema de Hans Magnus Enzensberger - O OUTRO



De Hans Magnus Enzensberger
Tradução Kurt Scharf/Armindo Trevisan



Alguém ri
preocupa-se
segura meu rosto com pele e pêlo sob o céu
deixa rolar palavras da minha boca
alguém que tem dinheiro e medo e um passaporte
que briga e ama
alguém se move
alguém estrebucha

mas não eu
Eu sou o outro
que não ri
que não tem rosto sob o céu
nem palavras na boca
que é desconhecido de si e de mim
não eu: o outro: sempre o outro
que não vence nem é vencido
que não se preocupa
que não se move

o outro
indiferente a si
do qual não sei
do qual ninguém sabe quem é
que não se move
esse sou eu

sábado, 2 de outubro de 2010





Eu queria saber desenhar
Pra poder dizer tudo
Que vai dentro de mim.
Esse grito contido,
Essa espera,
São frutos de um mesmo
Sentimento.
Sentir Deus em toda sua
Pureza, perfeição e glória.
Ter uma pequena idéia
Do seu reino
Através das estátuas
De sol em
Uma onda que se quebra
Num mar agitado e tenso...
E de uma aurora
Que se descortina
Em mil cores vivas
Esvoaçando e abrindo
Sua mente em paz.
A paz de uma onda
Que se quebra
Contra o vento e deixa
Uma névoa de música
No seu rastro,
Branca e pura como
A areia ainda intocada;
A paz
De um dia novo que
Começa no coração
Da gente;
Como um sentimento
De uma gaivota
Planando num mar
Límpido e cristalino.
E toda a força
Da chuva
Molhando nossas almas
À beira-mar...
E sentir que tão poucos
Sentem isso.

Carlos Maia