terça-feira, 2 de novembro de 2010

DESFECHO






Segue o enterro
Um único caixão
Uma única testemunha
Um único luto
Uma única vela
Ora acesa
Quase apagada

Segue o desfecho
De vários anos
De várias alegrias
De vários amores
De várias agonias
De vários sonhos
De várias chamas
Outrora acesas
Agora apagadas


Tadeu Rocha

2 comentários:

  1. Caro Tadeu,

    Essa bela elegia foi um petardo. Gostei da concisão, que antes de prejudicar conteúdo poético, enfatiza ainda mais o lirismo acondicionado no ritmo ((tão importante) para o poema.

    Gostei sobretudo dessa condição que surge na cena do poema, que representa um “drama em gente” universal, a falar da condição humana no mundo contemporâneo, em meio a ruínas, fragmentos e vestígios da memória e da morte.

    Lembrou-me ou levou-me o seu poema a uma clássica elegia de Augusto Frederico Schmidt, que trago para o blog:

    "ESTRELA MORTA

    Morta a Estrela que um dia, solitária,

    Nasceu em céu sem termo.

    Morta a Estrela que floriu nos meus olhos.

    Morta a Estrela que olhei na noite erma.

    Morta a Estrela que dançou diante dos nossos olhos,

    A Estrela que descendo acendeu este amor

    Morta a Estrela que foi para o meu coração,

    Como a neve para os ninhos

    Como o pecado para os santos

    Como a ausência de Deus para os condenados.

    (Canto da Noite, 1934)



    Belo poema o seu. Gostaria do seu e-mail.
    Abraços do Arsenio

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  2. Grande Arsênio,

    Grato pela visita, pelo comentário e pelo poema que ganhará um post. Seja sempre bem vindo. Meu email é tadeurocha_68@hotmail.com. Abraço. E viva a poesia!

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