quarta-feira, 1 de dezembro de 2010




DESENCANTO
De Manuel Bandeira




Eu faço versos como quem chora

De desalento ... de desencanto ...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.



Meu verso é sangue. Volúpia ardente ...

Tristeza esparsa ... remorso vão ...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.



E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.



- Eu faço versos como quem morre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário