segunda-feira, 18 de abril de 2011



Prólogo, na verdade um PS necessário: O conto abaixo foi escrito logo após o lançamento do filme Amadeus, de 1984. Tal filme foi baseado na peça de teatro de Peter Shaffer. A imagem de Antonio Salieri retratada no filme é de uma pessoa invejosa e de um músico medíocre. O conto baseia-se no Salieri da ficção, que difere do Salieri como figura histórica.



A DESVENTURA DE UM AVENTUREIRO


Dias se passaram, desde sua entrevista com o padre. Pobre homem! Ficara boquiaberto com suas confissões.
Naquele momento encontrava-se sentado sobre a cama – seus pensamentos contaminados pela loucura. Maquinar a morte de Mozart não só teve um sabor de vingança, mas também de aventura. A música daquele homenzinho era a própria voz de Deus, levando os homens ao arrependimento e exalando a fragrância do perdão. Silenciar Mozart era desafiar o divino. Sentia-se como um anjo decaído. A tristeza cobria sua alma como um manto, pois a voz do seu rival continuava viva através de outras tantas bocas. E a música perfeita de Amadeus era íntima dos grandes músicos da região. Não tardaria a ser reverenciada pelo mundo.
Conseguira destruir o homem, mas não sua arte que permanecia como um carrasco ceifando sua vida – negando-lhes o privilégio de desfrutar de sua vitória. Que vitória?
Seu corpo parecia reagir a esses pensamentos. Teve convulsões. A dor parecia visitar todos os recantos do seu interior. Blasfemou contra tudo e contra todos. Foi exatamente naquele instante que eu, a morte, aproveitando a porta entreaberta, atravessei o quarto e cerrei os olhos de Salieri.

Tadeu Rocha

Epílogo, na verdade um PS desnecessário: O texto foi escrito em 1984 ou em 1985. Tinha portanto entre 16 e 17 anos. Faz portanto 25 ou 26 anos. Tô ficando velho...rssss.

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