sexta-feira, 22 de abril de 2011



Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
De Rainer Maria Rilke
Tradução: Paulo Plínio Abreu


Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

2 comentários:

  1. Mas olha só que onipresença! Que bom que não fala de uma onisciência. Ainda bem, pois com ela não teria feito tão belo poema.
    Maravilha, Tadeu!

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