terça-feira, 19 de abril de 2011





Tadeu Rocha

6 comentários:

  1. Grande Tadeu,

    Eis um belo poema visual, digamos. É a mais pura verdade.

    Bandeira, que em seu TESTAMENTO, SE AUTO-PROCLAMOU:

    "Criou-me, desde eu menino
    Para arquiteto meu pai.
    Foi-se-me um dia a saúde...
    Fiz-me arquiteto? Não pude!
    Sou poeta menor, perdoai!"

    José Paulo Paes, que sabia das coisas, tratou de homengeá-lo, num interessante jogo de palavras, visualmente impactante:

    BANDEIRA

    Poeta menormenormenormenormenor
    MenormenormenormenormenorENORME.

    Abração, Tadeu.
    Grande sacada. Bandeira é um ícone.

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  2. Obrigado Arsenio. Sou péssimo em datas. Mas Carlos Maia alertou: 125 anos de nascimento de Manuel Bandeira. Lembrei deste "poema visual" que consta no meu primeiro livro e resolvi compartilhar aqui no blog. Os Andrades, Cassiano Ricardo, João Cabral e Bandeira tem lugar especial em minha mente e coração. Valeu meu amigo.

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  3. Eu é que sou grato a você, amigo. Aqui, sinto-me em casa. Também não lido bem com datas, e só agora reparei nesse acontecimento: os 125 anos do do nascimento de uma estrela, do " poeta melhor que nós todos, o poeta mais forte", conforme preconizou seu amigo Drummond.

    ALIÁS, CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (PARA MIM, O POETA MAIOR), escreveu para seu grande amigo, mestre e confidente Manuel, esse poema inesquecível. Quando Bandeira completou 50 anos de uma existência sofrida e iluminada. ( o poema segue em outro posto, em função do espaço)

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  4. "ODE NO CINQUENTENÁRIO DO POETA BRASILEIRO

    Esse incessante morrer
    que nos teus versos encontro
    é tua vida, poeta,
    e por ele te comunicas
    com o mundo em que te esvais.

    Debruço-me em teus poemas
    e nelo percebo as ilhas
    em que nem tu nem nós habitamos
    (ou jamais habitaremos!)
    e nessas ilhas me banho
    num sol que não é dos trópicos,
    numa água que não é das fontes
    mas que ambos refletem a imagem
    de um mundo
    amoroso e patético.

    Tua violenta ternura,
    tua infinita polícia,
    tua trágica existência
    no entanto sem nenhum sulco
    exterior – salvo tuas rugas,
    tua gravidade simples,
    a acidez e o carinho simples
    que desbordam em teus retratos,
    que capturo em teus poemas,
    são razões por que te amamos
    e por que nos fazes sofrer…

    Certamente não sabias
    que nos fazes sofrer.

    É didícil explicar
    esse sofrimento seco,
    sem qualquer lágrima de amor,
    sentiment de homens juntos,
    que se comunicam sem gesto
    e sem palavras se invadem,
    se aproximam, se compreendem
    e se calam sem orgulho.

    Não é o canto da andorinha, debruçada nos telhados da Lapa,
    anunciando que a tua vida passou à toa, à toa.
    Não é o médico mandando exclusivamente tocar um tango argentino,
    diante da escavação no pulmão esquerdo e do pulmão direito infiltrado.
    Não são os carvoeirinhos raquíticos voltando encarapitados nos burros velhos.
    Não são os mortos do recife dormindo profundamente na noite.
    Nem é tua vida, nem a vida do major veterano da guerra do Paraguai,
    a de Bentinho Jararaca
    ou a de Christina Georgina Rossetti:
    és tu mesmo, é tua poesia,
    tua pungengente, inefável poesia,
    ferindo as almas, fogo celeste, ao visitá-las;
    é o fenômeno poético, de que te constituíste o misterioso portador
    e que vem trazer-nos na aurora o sopro quente dos mundos, das armadas exuberantes
    e das situaçãoes exemplares que não suspeitávamos.

    Por isso sofremos: pela mensagem que nos confias
    entre ônibus, abafada pelo pregão dos jornais e mil queixas operárias;
    essa insistente mas discreta mensagem
    que, aos cinquenta anos, poeta, nos trazes;
    e essa fidelidade a ti mesmo com que nos apareces
    sem uma queixa, no rosto entretanto experiente,
    mão firme estendida para o aperto fraterno

    - o poeta acima da guerra e do ódio entre os homens -,
    o poeta ainda capaz de amar Esmeraldas embora a alma anoiteça,
    o poeta melhor que nós todos, o poeta mais forte
    - mas haverá lugar para a poesia?

    Efetivamente o poeta Rimbaud fartou-se de escrever,
    o poeta Maiakovski suicidou-se,
    o poeta Schmidt abastece de água o Distrito Federal…
    Em meio a palavras melancólicas,
    ouve-se o surdo rumor de combates longínquos
    (cada vez mais perto, mais, daqui a pouco dentro de nós).
    E enquanto homens suspiram, combatem ou simplesmente ganham dinheiro,
    ninguém perecebe que o poeta faz cinquenta anos,
    que o poeta permanece o mesmo, embora alguma coisa de extraordinário se houvesse passado,
    alguma coisa encoberta de nós, que nem os olhos traíram nem as mãos apalparam, susto, emoção, enternecimento,
    desejo de dizer: Emanuel, disfarçado na meiguice elática doa abraços,
    e uma confiança maior no poeta
    e um pedido lancinante para que não nos deixe sozinhos nesta cidade em que nos sentimos pequenos à espera dos maiores acontecimentos.

    Que o poeta nos encaminhe e nos proteja
    e que o seu canto confidencial ressoe para consolo de muitos e esperança de todos,
    os delicados e os oprimidos, acima das profissões e dos vãos disfarces do homem.

    Que o poeta Manuel Bandeira escute este apelo de um homem humilde."

    CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

    Grande abraço do amigo
    Arsenio

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  5. Arsenio, preciso compartilhar esse poema. Ganhei o dia. Um forte abraço.

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  6. Eu também amigo. Dia ganho, noite luminosa. Drummond... Não foi à toa que Bandeira prenunciou nele, por volta de 1930, a áurea de um poeta único.
    Valeu, amigo.
    Compartilhar, repartir, e distribuir poesia como você faz diariamente, permitem-me me dizer da figura humana especial que és.

    Abraços

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