domingo, 10 de abril de 2011




TORMENTO
Aos aflitos da alma, minha poesia e minha voz.


Nada de novo no front
Nem mesmo minhas tormentas
As mesmas vozes me afligem
As mesmas alucinações me perseguem
Companheiros de loucura se misturam na multidão
Eu não
Nem mesmo isso me consola
Não passo despercebido
Meus olhos caçam os comprimidos no quarto escuro
É hora de enfrentar meus moinhos de vento.

Tadeu Rocha

6 comentários:

  1. Tadeu,

    Ao ler um bom poema, um poema poema, sempre me vem à cabeça outro bom poema. É uma corrente positiva. Eis - dentre outras - a mágica da poesia.

    O seu "Tormento", tecido a partir de palavras e ritmo consistentes, embora seja um poema conciso, e até denso, e é bom que se diga que o tema abordado no poema - na minha opinião não - nada tem de cediço (ao contrário do que alguns pensam), trouxe-me à lembrança outro belo poema, do nosso Murilo Mendes, titular absoluto da poesia brasileira do século XX.

    Eis o poema de Murilo, que o seu Tormento fez-me evocar:

    "O MAU SAMARITANO

    Quantas vezes tenho passado perto de um doente,
    Perto de um louco, de um triste, de um miserável,
    Sem lhes dar uma palavra de consolo.
    Eu bem sei que minha vida é ligada à dos outros,
    Que outros precisam de mim que preciso de Deus
    Quantas criaturas terão esperado de mim
    Apenas um olhar – que eu recusei."

    ResponderExcluir
  2. Arsenio, só tenho a agradecer seu compartilhar. Um forte abraço, de quem tem muita admiração, respeito e consideração por você.

    ResponderExcluir
  3. Não sei se estou predisposta, mas o poema de Tadeu também me lembrou, Arsênio, o recente comentado(no Fusca) Cama de Pregos de Eduardo Alves da Costa. Fabulosos o de Tadeu e do Murilo Mendes.
    Parece que os poetas são meio que "pára-raios" a sofrer tormentas, tempestades antes dos demais ou mesmo apesar deles.
    Beijão pra vocês.
    Magna

    ResponderExcluir
  4. É isso aí Magna, é justamente isso o que você escreveu. Na mira. Os Poetas sofrem antes e propagam para o universo inteiro, os perigos e as pedras que existem no meio do caminho.

    Tadeu, obrigado, amigo. Por tudo. Pelas palavras generosas, a retribuição do seu pensamento, que é lição a ser aprendida e guardade.
    O apreço não tem preço.
    Forte abraço para os dois,
    meus amigos Tadeu e Magna.

    ResponderExcluir
  5. Falastes muito bem!!!
    Aflitos..... nesse momento sua voz calou para que sua alma gitasse!!!!
    O coração do poeta, leva aquilo que alma vive!!!
    Lindo seu poema!!!
    Meu bjaummmm e meu carinho.

    ResponderExcluir
  6. Valeu Maria pela sua visita e pelo comentário. Seja sempre bem vinda!

    ResponderExcluir