terça-feira, 3 de maio de 2011



Acordar, Viver
De Carlos Drummond de Andrade


Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea

4 comentários:

  1. Rapaz, esse poema de Drummond é exatamente como eu me sinto! Parabéns, Tadeu, pela escolha!

    Abraços!

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  2. Valeu Poeta. Tenho lido cada parte de seu novo livro. E qdo lançá-lo não deixarei de adquirir o exemplar, com dedicatória e tudo. Valeu.

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  3. Ah, Tadeu, eu não sei, mas Drummond sempre traz algo de familiar em nós...
    Algo que não conseguimos dizer, nem expressar. Algo que não se traduz nas palavras cotidianas.
    Santa poesia! Bendita poesia! Abençoado poeta Carlos Drummond de Andrade.
    Abraços.
    Magna

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  4. Magna, um país que, na poesia, possui 3 Andrades do quilate de Drummond, Oswald e Mário, deve se orgulhar e muito. Drummond é uma fonte de grande inspiração. Abraços.

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