domingo, 22 de maio de 2011



O céu parece revestido
de uma camada de cimento:
deixo as marquises porque sei
que esta chuva não passará.
Se esperasse um tempo de paz,
nem meu túmulo construiria.
Começo e recomeço a casa
de papelão em pleno inverno.
Um plano, um programa de ação
debaixo de uma árvore em prantos,
e voltar à primeira página
branca e ferida pela pressa.
A poesia já não seduz
a quem mais forte ultrapassou-a,
libertando um pouco de vida
e luz, da corrente de estrelas.
Toda renúncia nos convida
a recomeçar outra busca,
porque algo a inocência perdeu
no chão, para arrastar-se assim.


ALBERTO DA CUNHA MELO

2 comentários:

  1. Nossa, Tadeu! Quão humano é este poema! (perdão pela redundância)
    Abraços.
    Magna

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  2. Grato Magna. Felicidades mil pra vc.

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